A história do Coritiba

O Coritiba Foot Ball Club, conhecido popularmente como Coritiba e carinhosamente apelidado de Coxa, é um destacado clube esportivo da cidade de Curitiba, no Brasil. Este clube, com uma rica herança histórica, foi estabelecido em 12 de outubro de 1909, por descendentes de alemães, marcando-se como o mais antigo do Paraná. Ele se destaca não apenas pela sua antiguidade, mas também por ser um dos mais venerados clubes da região Sul do Brasil, ostentando a posição de um dos mais antigos entre os campeões brasileiros da área.

Exibindo orgulhosamente as cores verde e branca, o Coritiba tem seu lar no estádio Couto Pereira, inaugurado em 1932. Este estádio tem a capacidade de acolher mais de 40.000 espectadores, sendo um marco na cidade. O clube tem como principal rival o Athletico Paranaense, com quem disputa o emocionante clássico Atletiba, uma das rivalidades mais fervorosas do futebol brasileiro. Além disso, o Coritiba também compete no clássico Paratiba, contra o Paraná Clube.

Na história do futebol paranaense, o Coritiba foi pioneiro ao conquistar o Campeonato Brasileiro em 1985, interrompendo a dominação dos clubes de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais que se estendia desde 1960. O clube também acumula 39 títulos do campeonato paranaense, superando a soma de títulos de seus rivais e estabelecendo-se como o maior detentor de troféus na competição estadual. Entre 1971 e 1976, o Coritiba alcançou uma impressionante sequência de vitórias, com um hexacampeonato no estado, e conquistou o Torneio do Povo em 1973, entre outros títulos.

Adicionalmente, o Coritiba se destacou com dois vice-campeonatos na Copa do Brasil, nos anos de 2011 e 2012, e com duas conquistas no Campeonato Brasileiro Série B, nos anos de 2007 e 2010. Marcando outro pioneirismo, o time foi a primeira equipe paranaense a participar da Copa Libertadores da América, em 1986. O clube ainda detém o recorde de 24 vitórias consecutivas em competições oficiais, uma marca impressionante na história do futebol brasileiro. Com mais de 4.800 jogos disputados em sua trajetória, o Coritiba é um verdadeiro ícone no cenário esportivo paranaense e brasileiro.

As Origens

Coritiba História 1909

No ano de 1909, em Curitiba, um grupo de jovens entusiastas do esporte frequentava o Clube Ginástico Teuto-Brasileiro Turnverein, um ponto de encontro para a comunidade de imigrantes alemães. Nesse ambiente, em julho do mesmo ano, um membro notável do clube, Frederico “Fritz” Essenfelder, introduziu uma novidade: uma bola de futebol. Ele apresentou aos amigos as regras desse jogo então desconhecido e, com entusiasmo, iniciaram partidas no campo do Quartel da Força Pública.

Essa paixão inicial levou a um convite para um jogo contra um time formado por trabalhadores, muitos deles ingleses, da ferrovia de Ponta Grossa. Em um momento histórico, em 12 de outubro de 1909, Fritz organizou uma reunião no antigo Teatro Hauer. Nesse encontro, decidiu-se pela criação de um clube de futebol, batizado de Teuto-Brasileiro, que viria a ser o primeiro do estado do Paraná.

Avançando no tempo, em 22 de junho de 2023, o Coritiba fez um anúncio impactante: a venda de 90% da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) para a Treecorp Investimentos, em um acordo avaliado em R$ 1,1 bilhão. Essa transação significativa foi aprovada judicialmente, após receber o aval do Ministério Público. Importante destacar que os 10% restantes da SAF continuam sob a gestão da Associação Civil do Clube, garantindo a continuidade de sua história e tradição no futebol brasileiro.

Seu Nome

O nome “Coritiba” do clube tem suas raízes na nomenclatura antiga da capital paranaense, refletindo a grafia utilizada naquela época. É interessante notar que a forma oficial e atual de escrever o nome da cidade foi oficializada somente em 1919, uma década após a fundação do clube. Entretanto, em um gesto de respeito e valorização de sua história, o clube optou por preservar sua grafia original. Este respeito à tradição também se estende às palavras “foot ball” e “club”, que foram adotadas na língua inglesa, uma vez que, naquele momento, não havia equivalentes em português. Essa decisão sublinha a importância da memória e das origens do clube no cenário do futebol brasileiro.

Cores do Coritiba

Coritiba cores

As cores distintivas do Coritiba, verde e branco, são uma homenagem direta à bandeira do estado do Paraná. Esta escolha cromática estabelece uma ligação profunda com a identidade regional do clube. Fundado em 12 de outubro de 1909, o Coritiba ostenta o título de ser o mais antigo clube “alviverde” no cenário do futebol brasileiro e figura entre os mais vetustos em âmbito mundial. Essa longa trajetória no futebol destaca a rica herança e a importância histórica do clube no esporte nacional e internacional.

Escudo do Coritiba

Coritiba escudos

De acordo com o 9º parágrafo do Capítulo II do Estatuto do clube, o emblema do Coritiba é composto por um círculo, representando o globo terrestre. Esse círculo é adornado na parte superior e inferior por desenhos raiados, que remetem às calotas polares, apresentadas em um efeito de alto relevo. Envolvendo este círculo, entre duas linhas paralelas na periferia, encontra-se o nome completo do clube, CORITIBA FOOT BALL CLUB, com a palavra PARANÁ posicionada na parte inferior. No centro do emblema, em destaque, estão as iniciais CFC.

Vários clubes de futebol, tanto do Paraná quanto de outras regiões do Brasil, se inspiraram no distintivo do Coritiba para criar seus próprios escudos. Entre eles estão o Coritiba-SE de Sergipe, o Comercial de Viçosa de Alagoas, o São Bento de Santa Catarina, o Castanheira de Santa Luzia, o Cristo Redentor de Caxias do Sul, o Coritiba de Erechim, o Coritiba de Carlópolis, o Coritiba de Parelhas, o Coritiba de Santo Antônio, além do Olaria, uma equipe amadora de Curitiba. Essa influência demonstra o alcance e o prestígio do emblema do Coritiba no mundo do futebol brasileiro.

Bandeira do Coritiba

Coritiba bandeira

No Capítulo II, Artigo 8º do Estatuto do Clube, está descrita a bandeira do Coritiba: um símbolo que exibe o emblema do clube em posição proeminente no canto superior esquerdo, de onde emanam linhas representando raios alternados nas cores verde e branca, preenchendo todo o espaço.

A bandeira do Coritiba transcendeu sua forma física para se tornar um ícone representativo da tradição e grandiosidade do clube, simbolizando uma das principais forças do futebol brasileiro. O pavilhão, com sua beleza e significado, é um dos elementos mais emblemáticos na história do clube, quer seja pela sua origem ou pela representatividade que carrega.

Onde quer que estejam, os torcedores do Coritiba exibem com orgulho sua bandeira, um emblema do amor incondicional pelo clube. Assim como era mais de um século atrás, a bandeira do glorioso Coritiba ainda representa um papel significativo na vida dos seus torcedores, simbolizando a luz que guia seus caminhos com o lema: “Coritiba, tu és o sol que ilumina o meu caminho”.

Mascote

Coritiba Mascote

O Coritiba é representado por um carismático mascote, um idoso de descendência alemã afetuosamente apelidado de “Vovô Coxa”. Esta figura homenageia Max Kopf, um fotógrafo devoto e torcedor fervoroso do clube. Como o clube mais antigo do Paraná, o Coritiba celebrou seu centenário em 12 de outubro de 2009. O mascote “Vovô Coxa” simboliza não apenas as raízes alemãs do clube, mas também encapsula toda a rica tradição e história do Coritiba e do futebol no estado paranaense.

Porquê Coxa?

Coritiba Coxa

Os primeiros times do Coritiba, formados majoritariamente por descendentes de alemães, acabaram sendo alvos de provocações das torcidas rivais. Em um episódio marcante de 1941, durante um clássico Atletiba, o futuro presidente do Atlético-PR, Jofre Cabral e Silva, expressou seu fervor pelo jogo com insultos dirigidos ao zagueiro alviverde Hans Egon Breyer, de origem alemã, que migrou para o Brasil aos seis anos de idade e começou a jogar no Coritiba em 1939. Os gritos de “Alemão, quinta coluna!” e “Coxa-Branca, quinta coluna!” ecoaram, ganhando um tom depreciativo, especialmente por ocorrerem durante a Segunda Guerra Mundial. Este episódio afetou profundamente Breyer, levando-o a deixar o futebol e o clube em 1944.

Desde os anos 30, quando o nazismo começou a ganhar força, o Coritiba enfrentou acusações de preconceito racial. No entanto, o presidente do clube, Couto Pereira, sempre se posicionou firmemente contra tais insinuações, destacando a presença de jogadores negros no time, como Moacyr Gonçalves, Anibal, Biguazinho, e os irmãos Bananeiro e Janguinho. De fato, quatro dos cinco jogadores que mais atuaram pelo Coritiba são negros: Jairo, Nilo, Reginaldo Nascimento e Édson Bastos.

Ao longo de sua história, o Coritiba acolheu jogadores de diversas origens, incluindo italianos, poloneses, espanhóis, holandeses, dinamarqueses, entre outros. O clube, fundado por “Fritz” Essenfelder, um argentino, e presidido por Couto Pereira, cearense, foi o primeiro clube paranaense a ter jogadores europeus, latino-americanos, asiáticos e africanos em seu elenco.

Contrariando as acusações de racismo, a história do Coritiba demonstra sua diversidade e inclusão. Curiosamente, o Atlético-PR, que insinuou racismo no Coritiba, só incluiu um jogador negro em seu elenco 33 anos após o Coritiba. Com o tempo, os torcedores do Coritiba abraçaram sua origem germânica e adotaram com orgulho o apelido “coxa-branca”, uma referência à significativa colônia alemã no Paraná.

A expressão “coxa-branca”, outrora pejorativa, transformou-se em um símbolo de identificação para torcedores e jogadores do Coritiba, e se consolidou como um termo de união. Acredita-se que a comemoração do título estadual de 1969 foi o marco dessa mudança, com os primeiros gritos de “Coxa, Coxa, Coxa” vindos das arquibancadas, simbolizando a aceitação e o orgulho dessa alcunha.

Torcida do Coxa

Coritiba torcida

A Império Alviverde, fundada em 1977, é a principal torcida organizada do clube, destacando-se por suas cores verde e branco. Esta torcida é reconhecida como uma das maiores, se não a maior, da Região Sul do Brasil.

A torcida Coxa Branca não só é uma das mais tradicionais do estado do Paraná, mas também possui um histórico rico. Já em 1939, Luis Vila, conhecido como Pinha e ex-goleiro do Coxa, estabeleceu a primeira torcida organizada do estado, inovando com batucadas e cantos de incentivo, diferenciando-se assim das demais torcidas.

Em 1986 e 2004, a torcida do Coritiba marcou presença em todos os países onde o clube disputou a Copa Libertadores da América, incluindo Peru, Paraguai e Argentina, com a Império Alviverde liderando a torcida.

No ano de 2010, mesmo com o clube enfrentando severas punições e jogando a 130 quilômetros de Curitiba, em Joinville, os torcedores acompanharam fervorosamente, com uma média de 3.315 pessoas por jogo, totalizando 33.156 torcedores. Esse apoio incondicional mostra a força e a paixão da torcida pelo clube.

Segundo uma pesquisa do IBOPE em 2010, o Coritiba é o terceiro clube com a maior torcida da Região Sul. Além disso, a torcida coritibana se destaca por ter as maiores médias de público no campeonato estadual, liderando em 14 dos últimos 21 anos (1994 a 2019); quando não está em primeiro, está quase sempre em segundo, um padrão que se repete no Campeonato Brasileiro.

Conhecida por criar um ambiente vibrante no Couto Pereira, a torcida do Coritiba realiza o Green Hell (Inferno Verde), onde inovam com pirotecnia, fumaça, papel, fogos e efeitos luminosos, tanto de dia quanto à noite, elevando a experiência do jogo a um outro nível.

Estádio

Coritiba estadio

Inaugurado em 1932, o estádio Major Antônio Couto Pereira, com capacidade para acomodar 40.502 espectadores, é popularmente conhecido como Couto Pereira ou Alto da Glória, tanto pelos torcedores quanto pela mídia.

O terreno onde o estádio foi construído foi cedido por Nicolau Scheffer, seja por doação ou por uma venda simbólica devido a questões fiscais. Naquela época, a localização era considerada distante, gerando comentários sobre a viabilidade do projeto devido à sua localização remota.

Uma significativa reforma realizada em 2005 trouxe melhorias importantes ao estádio. As dimensões do campo foram aumentadas, as grades de proteção foram removidas para melhorar a visibilidade do jogo em todos os setores, e houve a modernização de equipamentos como bancos de reserva e traves. Além disso, o gramado foi completamente renovado e as instalações internas, como vestiários e salas, passaram por reformas.

Originalmente batizado de Estádio Belfort Duarte, o nome foi alterado para o atual em 1977, após uma série de reformas para ampliação. Essa mudança foi uma homenagem a um dos principais responsáveis pela concretização do estádio, honrando seu papel crucial na transformação do projeto em realidade.

Coritiba Feminino

Coritiba Feminino

O Coritiba Foot Ball Club, conhecido no futebol masculino, também tem uma equipe feminina que representa o clube nas competições de futebol feminino. O Coritiba Feminino, como é chamado, é uma parte importante do clube e contribui para a promoção e o desenvolvimento do futebol feminino na região e no Brasil.

A equipe feminina do Coritiba participa de competições nacionais e regionais, incluindo o Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino e o Campeonato Paranaense de Futebol Feminino. A formação desta equipe destaca o compromisso do clube com a igualdade de gênero no esporte e o seu esforço para oferecer oportunidades para atletas mulheres exibirem seu talento e habilidades no futebol.

Além de competir, o Coritiba Feminino também desempenha um papel vital na comunidade, inspirando jovens jogadoras a perseguirem suas paixões pelo futebol e promovendo valores como o trabalho em equipe, a perseverança e a excelência esportiva. A existência e o sucesso da equipe feminina do Coritiba são testemunhos do crescimento e da popularização do futebol feminino no Brasil.

Rivalidades

Coritiba classicos

Atletiba

O confronto Atletiba, uma denominação para as partidas entre Coritiba e Atlético Paranaense, dois renomados clubes de Curitiba, é um dos clássicos mais tradicionais e acirrados do futebol brasileiro. Este embate teve início em 8 de junho de 1924, com uma vitória expressiva do Coritiba por 6 a 3 sobre seu rival. Ao longo dos anos, esta rivalidade se intensificou, sendo hoje considerada uma das mais fervorosas da região Sul do Brasil. Esse cenário é fruto de diversos jogos decisivos entre ambos, que consolidaram esses clubes como os de maior torcida no estado do Paraná. Um dos momentos mais emblemáticos deste clássico ocorreu em 14 de novembro de 1959, quando o Coritiba alcançou uma vitória histórica de 6 a 0 sobre o Atlético Paranaense

Paratiba

O Paratiba, como é conhecido o clássico futebolístico entre o Coritiba e o Paraná, é um dos confrontos mais emblemáticos do futebol paranaense. Este duelo teve sua estreia em 4 de fevereiro de 1990, com uma vitória apertada do Coritiba por 1 a 0. Ao longo dos anos, o clássico presenciou partidas memoráveis, com destaque para duas goleadas expressivas: em 2002, o Paraná venceu por 6 a 1, e em 2021, foi a vez do Coritiba triunfar com uma vitória de 5 a 0. Esses jogos representam momentos marcantes na história dessa rivalidade estadual.

Valor de Mercado

Segundo um levantamento realizado em 2014 pela BDO RCS Auditores Independentes, o Coritiba se posicionou como o décimo terceiro clube com maior valor de mercado no futebol brasileiro, liderando entre os clubes do Paraná com um valor estimado em 118,5 milhões de reais.

Posteriormente, em janeiro de 2023, um estudo da Sports Value, uma consultoria especializada em marketing esportivo, revelou que o Coritiba ocupava a décima nona posição em termos de valor de mercado no futebol do Brasil. Nesta avaliação, o clube foi estimado em cerca de 490 milhões de reais, valor que representava menos de um quarto do valor de mercado do seu principal rival, o Athletico Paranaense.

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